Você me pergunta a causa do silêncio? Não sei se foram as palavras que me roubaram ou a connecção que ficou para trás. Apenas aconteceu, não sei como, no final das contas pode até ter sido um complô.
AFinal, hoje em dia, nunca se sabe o que poderiam fazer tais palavras abusadas e digamos, mutiladas. O que poderiam fazer suas mentes perversas escritas em linhas tão tortas? É a lei da selva, a Lei das ruas, da merda.
Mas o que novamente disseram os jornalistas? "É tudo causa do buraco que foi aberto no último post." Espalharam por aí que as palavras escorregaram desfiladeiro abaixo, cegas de ciúmes, embolando umas sobre as outras, na verdade: confundindo-se. Fazem de tudo o mesmo abatedor de galinhas engordadas.
Eu não sei o que nada disso significa, sei que tenho saudade, saudade dos dias que viram. Pois aquele dia em que eu cozinhava ouvindo Jamie Cullum, como se o dia estivesse mesmo ensolarado e a minha casa fosse um pouco maior. Cozinhando com mais de uma opção de tempero, com nós moscada em pó, com todos aqueles lá do supermercado. E aquele alho, qual é mesmo o nome dele? Não sei. O que me molha as calças é exatamente olhar pela janela-de-um-novo-quarto-sem-cama, é recordar que a vista não se parece com a vida, e que tudo continua nas caixas.
Se mudar dói. Dói cada degrau subido com a geladeira. Sem falar que acaba com os móveis, vão desabando os coitados. A geladeira por exemplo, tá assim meio de lado, nostálgica e caidinha, e por mais que fale de toda vida na terapia continua com aquela sensação de vazio, as vezes me pergunto se a culpa é minha, se eu devia fazer uma feira maior, sei lá, talvez comprar mais coisas que precisem ficar dentro dela. Mas este negócio de se sentir útil é auto-ajuda pura. Eu só queria ter vontade de cozinhar, e não simplesmente fritar um hamburguer e comer com arroz gelado. Parece que me roubaram o último abraço.
terça-feira, 17 de julho de 2007
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