terça-feira, 18 de setembro de 2007

Finais.

Me dei conta, finalmente. Não sou escritor. Escrevo sobre as palavras que me roubaram, das verdades re-torcidas da minha vida, da mediocridade da expressão.

Como um gago, sabe? Sou um gago, não um desses que repetem toda primeira sílaba, por que no final das contas eu, na pior da hipóteses, só falo meio enrolado. São as minhas frases que são impotentes. Nunca sái o que deveria, e quando eu olho para trás: - Quê?

Abandonei os vermelhos. Me envergonham

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Pontos de ônibus e crimes de trânsito.

Sangrava de tédio, os 10 anos pelas mesmas ruas fizeram em sua mentes buracos de raciocínio que coincidiam exatamente com as paradas de ônibus. Dirigia o 703 desde que largara o emprego no supermercado, e desde sempre mantinham uma relação de um longo e tedioso casamento, onde os problemas ficam expostos com suas óbvias razões pequenas, onde se advinha cada palavra que irá se suceder, e finalmente, onde não há surpresa alguma em acordar todas as manhãs acompanhado.


Mas naquele dia uma dúvida flutuou, sentado no ponto de ônibus se equilibrava sobre a bunda magra um homem desatento. Lentamente diminuo a velocidade do ônibus até finalmente parar e abrir as portas na frente do possível passageiro, fez isto com a incerteza que nunca sofrera na vida. E como se de fato existisse outro caminho ele pergunta ao homem se ele vai subir, mas não, o passageiro nega-lhe a presença e diz que irá pegar outro ônibus.


Magoado ele fecha as portas com desleixo e segue, perplexo. Sabia que há pelo menos 5 anos este era o único ônibus que passava por aquele ponto. Agora, a dúvida e a ansiedade o seguiriam até a morte. Quando? Ele sabe. Talvez no sinal fechado há três quadras dali, enquanto ele ligava para saber se o outro ônibus realmente passaria.


segunda-feira, 27 de agosto de 2007

E agora?

E agora? Que porra eu faço nesse Template? Pq este espaço aih em cima? =/
Eu tava pensando em escrever um conto um pouco maior, mas desisti, vou colocar os pedaços que eu escrevi aqui depois. essa merdinha. =/

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Fantasmas e amigos de infância.

Ele o viu, e como se o mundo lhe escondesse as migalhas de confiança estremeceu da garganta obstruída até o estômago estremecido. E lá estava novamente, sentado na cadeira ao lado, carregando séculos de tédio pelo calcanhar esquerdo. Com a boca torta de silêncio.

No carrosel, no banco de frente de casa, no dia que fugiu do circo, no medo da água escura da praia, no cachorro que fugio aquele dia. E finalmente, naquele dia em que vômitou no banco de trás do carro.

E lá estava novamente, sólido, com todos os dentes e garras. Tomando-lhe as palavras pelo buraco que fizera na gastrite viciada em café. E como num salto, sem medir palavras ou corrigir o portuguÊs: O sono.

domingo, 12 de agosto de 2007

terça-feira, 17 de julho de 2007

Visitas em tempos de faltas e buracos no tempo.

Você me pergunta a causa do silêncio? Não sei se foram as palavras que me roubaram ou a connecção que ficou para trás. Apenas aconteceu, não sei como, no final das contas pode até ter sido um complô.

AFinal, hoje em dia, nunca se sabe o que poderiam fazer tais palavras abusadas e digamos, mutiladas. O que poderiam fazer suas mentes perversas escritas em linhas tão tortas? É a lei da selva, a Lei das ruas, da merda.

Mas o que novamente disseram os jornalistas? "É tudo causa do buraco que foi aberto no último post." Espalharam por aí que as palavras escorregaram desfiladeiro abaixo, cegas de ciúmes, embolando umas sobre as outras, na verdade: confundindo-se. Fazem de tudo o mesmo abatedor de galinhas engordadas.

Eu não sei o que nada disso significa, sei que tenho saudade, saudade dos dias que viram. Pois aquele dia em que eu cozinhava ouvindo Jamie Cullum, como se o dia estivesse mesmo ensolarado e a minha casa fosse um pouco maior. Cozinhando com mais de uma opção de tempero, com nós moscada em pó, com todos aqueles lá do supermercado. E aquele alho, qual é mesmo o nome dele? Não sei. O que me molha as calças é exatamente olhar pela janela-de-um-novo-quarto-sem-cama, é recordar que a vista não se parece com a vida, e que tudo continua nas caixas.

Se mudar dói. Dói cada degrau subido com a geladeira. Sem falar que acaba com os móveis, vão desabando os coitados. A geladeira por exemplo, tá assim meio de lado, nostálgica e caidinha, e por mais que fale de toda vida na terapia continua com aquela sensação de vazio, as vezes me pergunto se a culpa é minha, se eu devia fazer uma feira maior, sei lá, talvez comprar mais coisas que precisem ficar dentro dela. Mas este negócio de se sentir útil é auto-ajuda pura. Eu só queria ter vontade de cozinhar, e não simplesmente fritar um hamburguer e comer com arroz gelado. Parece que me roubaram o último abraço.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Sem mais nem menos o buraco abriu.
Tudo caminhava bem, talvez até todos. Mas tem sempre este tipo de acidente, bases-mal-feitas, infiltrações e problemas camuflados.

Enquanto as ultimas pedras rolam a multidão se junta ao redor.

Não se sabe ainda qual a gravidade do acidente, ou até, quais as causas exatas. Ainda não descartaram a possibilidade de fralde, de intencionalidade.