quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Pontos de ônibus e crimes de trânsito.

Sangrava de tédio, os 10 anos pelas mesmas ruas fizeram em sua mentes buracos de raciocínio que coincidiam exatamente com as paradas de ônibus. Dirigia o 703 desde que largara o emprego no supermercado, e desde sempre mantinham uma relação de um longo e tedioso casamento, onde os problemas ficam expostos com suas óbvias razões pequenas, onde se advinha cada palavra que irá se suceder, e finalmente, onde não há surpresa alguma em acordar todas as manhãs acompanhado.


Mas naquele dia uma dúvida flutuou, sentado no ponto de ônibus se equilibrava sobre a bunda magra um homem desatento. Lentamente diminuo a velocidade do ônibus até finalmente parar e abrir as portas na frente do possível passageiro, fez isto com a incerteza que nunca sofrera na vida. E como se de fato existisse outro caminho ele pergunta ao homem se ele vai subir, mas não, o passageiro nega-lhe a presença e diz que irá pegar outro ônibus.


Magoado ele fecha as portas com desleixo e segue, perplexo. Sabia que há pelo menos 5 anos este era o único ônibus que passava por aquele ponto. Agora, a dúvida e a ansiedade o seguiriam até a morte. Quando? Ele sabe. Talvez no sinal fechado há três quadras dali, enquanto ele ligava para saber se o outro ônibus realmente passaria.


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