Os retratos pareciam flutuar com muito mais leveza através do olhos dele naquela tarde de sol frio, ao som de velhas músicas isto parece ser bem mais acessível. São desenhos à giz, sujos e frios no chão de um quintal da casa de uma infância qualquer, num dia de chuva.
Repousara toda a tarde sentado na cadeira de balanço, vestia, ainda, o conjunto de moletom cinza que vestira, sem tomar banho, na noite passada. Da janela do apartamento observava desde as crianças que saem limpas para brincar até o retorno sujo e faminto aos puxões de orelha.
Como num dia em que se abre uma gaveta esquecida e se acha aquela velha caixa de música onde dar cordas com mãos cansadas parece causar melodias diferentes. Bem no fundo se reconhece a música, mas há algo no ar, aquele dia escuro, aqueles sorrisos histéricos, olhos tristes com ares de felicidade ébria. Algo diferente de saudade, com certeza. Ele saúda os velhos tempos com semblante homicida, e divaga: "Se ao menos me restasse dor". Mas dentre as sobras da inveja ele traduz apenas os velhos lamentos de um Country fora-da-lei.
Subí as escadas com ânsia, não sei se por medo do encontro com o desconhecido ou por finalmente poder comprar o livro. Bati à porta semi-aberta por dez minutos, no entanto a única resposta era o pesado ranger da cadeira de balanço. Abri a porta.
O cigarro ainda repousava aceso em sua boca enrugada . O peso das lembranças foi muito maior do que a força do seu pescoço: o quebrou ao virar para olhar quem acabara de entrar.
Vale.
4 comentários:
Para quê servem comentários?
rapaz... sabe que nada ainda? é até engraçado, é uma sensação de que ele é superestimado demais, às vezes. tenho muita vontade de ler Olívio, o 1º.
tu já leu algo?
olá, menino =)
eu vi o velho na poltrona aqui em frente...
um salto no escuro; tchau radar pras letras.
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