quinta-feira, 3 de maio de 2007

Monstros e quadros despedaçados.

É óbvio, refiro-me ao dia em que comecei a me despedaçar. Pouco antes de encontrar um quadro que me dizia tudo aquilo que eu ouvia com palavras mudas vindas de algum lugar escuro embaixo da minha cama. Algo dito por um desses monstros que acreditávamos que finalmente nos pegariam quando ou se apagássemos as luzes, por isso o salto para cima da cama, o medo de ter o pé a agarrado, as luzes acesas.


Como se de fato à luz a vida fosse diferente, ou fosse assim mais fácil com as luzes ligadas. Tem gente que até diz o contrário – “She says It helps with the lights out” - O que eu acho é que de fato, numa dessas madrugadas-em-que-meupai-apagou-a-luz-enquantoeudormia, foram sussurradas aos meus ouvidos palavras que nunca deviam ser ditas à crianças, palavras que falam mais do quê como e quando se vai morrer, ou mais até do quê ameças disto. Eu não consigo me lembrar do dia, não consigo me lembrar quando ou onde, ou até quem. Só sei que desde lá tenho procurado em músicas, lido em livros, e experimentado em tudo, mas parece que William Basinsky estava certo em Desintegrations loops, é exatamente assim, infinito e despedaçante.


No quadro o homem tenta segurar os seus pedaços que tombam, junto deles seus braços que tentam a todo custo segurar-se e sustentar todo um foco, ou um olhar, como vidros fragmentados de igrejas, que por si já se despedaçam. Como um vaso caído que teima em juntar seus pedaços e guardá-los dentro de si, assim, como se ninguém pudesse perceber a merda que ele acabara de fazer, como se tivesse mãos para tal.


O que interessa é que eu percebi: Eu estava com Lepra. Eu percebi quando ouvi minha mãe falar de uma mãe de uma amiga - Ela Desmanchava, literalmente, como se seus pedaços não estivessem mais por que continuar, então eles simplesmente vão embora. - Então eu vivo, minha Lepra ( Hanseníase) Silenciosa e discreta, que me consome pedaços e paciência. E um pedaço do meu estômago, mas isso eu não sei se é Lepra.

5 comentários:

Carol Almeida disse...

é que preciso juntar os pedaços pra poder continuar escrevendo...

poeta sórdido disse...

quero deixar claro que gosto do blog dele; mas na verdade ele é um viadinho metido a besta [mas isto é uma grande bobagem, eu sei].

escrever algo novo? talves nos próximos dias, se conseguir respirar no meio desta tormenta...

e tu atualiza mais, é legal.

poeta sórdido disse...

ihhhh, espere mesmo não, é o melhor que você pode fazer.

Carol Almeida disse...

http://atirenodramaturgo.zip.net/
http://www.badtrip.com.br/bifesujo/
http://www.escrevescreve.blogger.com.br/

Taí alguns dos links que te falei. Dá uma olhada nos links do blog do poeta sórdido; tem muita gente bacana por lá.
Beijo :*

poeta sórdido disse...

é, é! vai nos links!!!