É tarde, e essa palavra inscrita de saudade mal-balançava o pequeno-confuso sob a sombra da mangueira naquela tarde de janeiro ensolarado.
Acabara de aprender a faze-lo sozinho, contorcia o corpo com esforço e ansiava o vôo, mas continuavam a faltar-lhe as mãos nas costas. Como naqueles dias de preguiça do mar, quando as ondas mal se levantam para cumprimentar as pedras. Mal sabem elas porque, mas fazem assim, sem vontade, como se precisassem de um empurrão, ou quem sabe de uma dor real, que pague a dívida.
Sobre o balanço seus pés falhavam ao buscar apoio no chão, esforços que o males da idade se negavam a retribuir, como se assim esperassem para que fossem chutados por canelas mais longas.
Sangrava. Do joelho jorrava-lhe a conclusão de que a brincadeira, talvez, não tenha valído à pena, muito menos as lágrimas de desgosto daqueles outros lá. E em meio a dor e o medo do remédio se perguntava: “Salto?”.
Eram férias e sexta-feiras, no entanto, o sol-que- se-punha acusava-o àquela sensação das noites de domingo. Se encararam como os-velhos-amigos-que-um-dia-foram, do tempo em que o hidrocor amarelo ainda pintava sorrisos naqueles céus de gaivotas-tortas.
Ele puxou as cordas com mais força, dobrar e esticar ainda mais as pernas. Mas já era tarde, o céu deixou-se anoitecer como quem é coberto antes de dormir, e num último bocejo advertiu-lhe o castigo do atraso.
Esperou a corrida terminar e baixou a cabeça, esperando a inércia fazer seu trabalho esperou só mais uma reclamação dum grilo qualquer. Fui pra casa.
3 comentários:
Só salta se for com as próprias pernas e pra frente, sem olhar pra trás. Gostei desse; e o vermelho tá mais suave, né? agora não irrita tanto hehehe
bjos!
ahahauhua só um pouco, mas tá bom assim, juro!
Bjo :*
carol(ice)
Adorei tua aparição no meu canto
me mostrando um outro ângulo do domingo.
Muito bom teu texto.
Um beijo meu.
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